você fica puto assim
e joga cadeiras no chão
e incendeia com fogo do inferno por dentro
e sai batendo portas
por causa do fracasso.
fracassar no Amor, o maiúsculo, é o que faz a loucura aflorar. essa de
não se segurar, do impulso dominar, de querer acabar com tudo. como a lucy diz naquele deseinho
e no livrinho que te dei. you wanna smash things.
é um desperdício,
porque tudo tem jeito,
mas cada vez menos jeito, a cada diazinho que passa.
tão triste.
só aquela lagriminha que não escorre – mas molha os cílios.
agora eu tenho uma tatuagem de xilindró. ficou torta em forma de arco despropositalmente, mas eu gostei. enquanto meu pai gravava um violino numa música no novo disco da pitty (tem uma música que ai puta merda rripiou), comentei que queria escrever certa frase em certo lugar. “BORA”, disse minha pedra. minha pedra é uma pessoa. aí montaram uma coisa meio precária – obviamente minha pedra deve ter tatuado umas 03 pessoas na vida) e eu dei meu braço virgi pra ele escrever a frase sem decalque.
quer dizer,
ficou tudo meio cagado, mas é xilindró style. agora posso falar que fiz na prisão do chile, quando fui presa em 1987 etc.
é mais ou menos isso aqui:
no resto diz “from hell”, obviamente. é no antebraço. ou isso que é o braço? enfim. é no braço depois do cotovelo e antes da mão.
comentário da polly:
p-r-e-s-i-d-i-á-r-i-a.
bom, não deixa de fazer sentido.
é isso. love is a dog from hell tatuado tudo torto pra sempre no meu braço.
já vi esse filme.
eu queria tanto sair pra dançar. eu queria tanto ir no astronete. eu queria tanto. mas meu tendão de aquiles inflamado não me deixa. e eu ficaria bêbada, com péssimo humor e uma conta enorme, sentada no bar pensando na ironia do meu tendão de aquiles estar inflamado em um momento infeliz onde preciso de muito hedonismo pra superar. CHEGA. quem quer que seja que manda nesta merda – porque certamente não sou eu, do contrário não estaria deitada na cama, sem comer, com o pé doendo demais: CHEGA. já queimei meu karma. todo. e olha que não era coisa pouca. agora conserta essas desgracinhas. todas, uma por uma. por favor. brigada, viu?
o jeito que você dirige bravo porque te fiz sair sem estepe
o jeito que você fica impaciente em silêncio, só nos olhos inquietos
e na respiração
o jeito que você se esquiva
o jeito que você sucumbe e a sua mão me pega daquele jeito
o jeito que você hesita uma entreguinha
e depois que se entrega a gente deita no chão e escolhe cada um uma música e tem que ser brasileira
você: elomar
eu: elza
horas
e horas
e o sol de domingo não querendo nem saber lá fora.
depois vem o silêncio maldito
que eu conheço há tantos anos
e ainda penso: isso é Amor.
eu ia soltar todos esses passarinhos
e tirar esses fio tudo
ter mais plantinhas
e os gatos se lamberiam ao sol da tarde
mas só no inverno.
eu leria pra você
e você leria pra mim que as vista já estão comprometidas
nós ouviríamos discos, você escolhe uma música, eu outra, depois deixaríamos um disco inteiro e tocaria crazy da patsy cline e eu ia fazer ahhh e te apertar mais e mais como se quisesse fundir em você
eu serviria mais uma dose pra virar o disco
e ahhhh
muito tempo se passaria ali, anos
nossas peles enrugariam e nós contaríamos rugas, meu cabelo ficando vermelho demais no branco
você achando lindo de qualquer maneira.
até que você ficaria doente
e eu ficaria doente também, doente por causa da sua doença
mas cuidaria de você até o fim
e nós veríamos as fotos de quando dançávamos na frente daquele espelhão
os dois bonitos e jovens
eu ruiva e cabeluda ainda
você já se achando velho e cansado.
eu cozinharia para você
levaria as coisinhas que você não alcançasse
eu cuidaria de você mesmo doente também, porque eu sou forte.
um dia num fim de tarde você me chamaria, apertaria a minha mão
e eu saberia
sentaria ao seu lado
as lágrimas molhando as suas mãos manchadas
e você diria
“eu sempre te amei”
e
“nós fomos tão felizes aqui”
e eu fecharia os olhos sentindo a vida se esvaindo de você
e você morreria segurando a minha mão que nem a gente combinou há tanto tempo
e você diria
nada
porque estaria de olhos fechados e eu saberia que você não estava mais lá, e esconderia o rosto na sua mão com a maior dor da minha vida, apertando mas não muito, porque não teria forças.
uns dias depois minha doença pioraria
minha filha querendo me internar e eu dizendo nunca
quero morrer aqui, na nossa casinha
então uma semana depois eu iria dormindo
e te encontraria em algum lugar bem bonito.
bom, meu aniversário foi o pior dia do ano e o pior da vida, não dormi, passei o dia chorando no cantinho do quarto não atendendo telefonemas e à noite teria que jantar na casa do meu ex-sogro. eles foram muito gentis e prepararam toda uma comemoração, mas eu estava tendo uma crise depressiva de 30 anos e solidão e só conseguia ficar na minha espiral negativa pensando merda. ver minha filha, em vez de me fazer bem, me deixou pior porque vi que estou longe de ter condições de cuidar dela. quase tive uma crise de pânico e vi que ainda falta muito remédio e muita psicanálise pra eu voltar a ser o que eu era quando eu era eu. porque esta pessoa frágil de 55 quilos esfarelando e com o canal lacrimal descontrolado que fica três dias sem banho deitada no quarto fumando sem comer não tem nada a ver comigo. eu não sou isso. mas assim como tem nêgo pra acabar com a sua vida, tem nêgo pra salvar. um amigo meu que também se separou recentemente sacou que eu não poderia estar pior simplesmente veio me buscar em casa e me levou numa sauna que tem no flat onde ele está ficando junto com um uíscão – agora vi o lado de quem vai, porque eu sempre fico e eles vão e vão e vão – e olha, vou te dizer, metade dos encostos que estavam em mim foram embora. a outra metade vou ter que achar um centro de umbanda pra tirar. mas já valeu. o pai da minha filha também foi do caralho e falou um monte de coisas que eu precisava ouvir mas só consegui depois de três rivotril e meio maço de cigarro.
eu preciso sair daqui senão eu vou morrer. simples assim.
aqui sendo essa depressão fudida e esmagadora.
porque esta não sou eu.
hoje eu marquei uma pequena comemoração dos meus 30 anos. nasci mesmo no dia 26, mas neste belíssimo ano de 2009, segundo minha mãe, que calculou minha revolução solar, será precisamente 25 May 2009, 21:22:18. o ascendente capricórnio que me caiu este ano explica minha falta de sociabilidade. lua em gêmeos de novo, como quando nasci. vou ficar em casa falando sozinha, provavelmente. acordei três da tarde, fiz bosta nenhuma que tinha que fazer e tô toda amassada sem banho. queria ficar em casa tocando e bebendo. ainda não sei. ouço barulho do que pode ser a tiazinha lavando a calçada ou chuva. acho que é a tiazinha, mas tanto faz. a vontade de comemorar continua igual. de ficar em casa tocando lupicínio rodrigues. apertando seu mouse bem aqui você pode ouvir uma versão da minha banda Oneyedcats de cadeira vazia, gravada em casa com um celular motorola mas chega a ser humilhante perto da elza. bom, eu não sei tocar e quem sabia já não mora mais aqui. só posso deixar a elza pra segurar a barra então, porque essa segura. preste atenção no finzinho de “nervos de aço”, ao lado do delineador (viu, a cara dela não é esticada de plástica, os olhos eram assim desde 1978), numa lagriminha daquela que só molha os olhos mas não chega a escorrer. e por favor, preste atenção nessa letra. sim, eu amo o lupicínio rodrigues, não sou roqueira como nego continua achando, mesmo oito anos tendo se passado. e mesmo antes. os pais deixam a criança ouvindo vicente celestino e lupicínio rodrigues e depois não sabem porque eu sou assim. aí quando eu digo que ninguém entende nada ficam reclamando que eu reclamo. aproveitem e escutem Advilé, homenagem ao grande sambista falecido há pouco que minha amiga Antônia compôs com seu ex-namorado.
nuvens negras, nuvens negras. só pra dar uma idéia da minha animação de sair de casa, ó o email que a pessoa manda para os amigos tardiamente.
finalmente vou fazer 30 anos, 29 não é idade que se apresente.
não tava muito disposta a comemorações neste ano, mas se eu não comemorar vou passar o meu aniversário balzaquiano (reinaldo me corrigiu, disse que agora balzaca é aos 40, mas me deixa fantasiar, porra) sozinha em casa olhando um canal só porque perdi o controle remoto e meu tendão de aquiles está inflamado. vocês eu não sei, mas eu acredito nesse negózdi inferno astral, tive provas concretas neste ano porque no último mês, quiçá nos últimos dois meses aconteceu tanta, mas tanta merda na minha vida que ninguém nem vai querer saber. então eu espero que apareça alguém. não duvido que não vá NINGUÉM – é uma segunda e as pessoas trabalham, eu acho – e eu tenha que ficar falando com o marquim. não que falar com o marquim seja uma coisa ruim, mas enfim. avisem os meus amigos que não ficarem sabendo, tô sem o email de metade das pessoas que (eu acho) gostam de mim. senão depois ficam reclamando que não convidou, que não sei o quê, e eu não and o com paciência. gastei no inferno astral.
é isso.
apareçam lá na segunda, dia 25 (eu nasci mesmo no dia 26, mas aí na virada vocês me dão um abraço coletivo). todo mundo sabe onde fica a [conteúdo suprimido], certo? em todo caso…
[conteúdo suprimido]
lá por umas 7, 8, sei lá.
um beijo
c.
se você mora em outro país/cidade/estado, sabe que eu sei e está se questionando porque eu mandei o convite de qualquer jeito, eu explico: foi pra vocês quererem me dar pelo menos um abracinho, porque tá foda aqui, viu. são paulo anda muito cruel.
Primeiro sofri uma tentativa de envenenamento. Oquei, não sei se foi realmente uma tentativa de envenenamento, mas estava lá com meus amigos comendo aquela porção de sempre na Mercearia São Pedro e tomando uma pinguinha e comecei a sentir um mal-estar nada típico. Eu sou forte. Acepipes e uma pinguinha não me causam azia galopante assim, do nada. Os amigos enchendo a mesa e os copos e eu até desconcentrada de tanto enjôo. Depois descobri que era uma virose daquelas de um dia que passei para meu pai e meu namorado (desculpaí, gente), mas na hora eu só pensava: tudo errado. Paguei a conta, virei um sal de frutas no balcão sob o olhar de estranheza do Marquim e fui embora com dois vinis debaixo do braço, um Coleman Hawkings e um da Nina Simone ao vivo comprados do senhor que passa de mesa em mesa e não tem um dos dentes da frente. Cheguei em casa, joguei tudo no sofá, desisti da sala e me fui ao quarto. Deitei ainda de sapatos. Tudo errado. Tomei um chá de hortelã e duas cápsulas de alchachofra. Isso resolveria. Sempre resolve. Ainda mais com ele cuidando de mim com só ele sabe. Mas não. Estava tudo errado. Em dois minutos estava dobrada sobre a privada e jatos desagradáveis jorravam incontidos. O horror. Eu tinha sido envenenada. Minha amiga, que dividira a porção comigo, nada sentiu. Durante meus delírios noturnos em sofrimento estomacal, tive certeza: eu tinha sido envenenada. Não consegui concluir a teoria conspiratória porque a manhã seguinte foi muito pior. Já não sofria mais tanto do estômago, mas estava fraca, apenas, de uma noite deliriosa e mal-dormida. Saí para comer em um restaurante natureba, com comidas leves e sem possibilidade de envenenamento. Tudo correu bem até que toca meu telefone. Era Maria, a moça que trabalha em casa, mulherão esperto e cheio de afazeres. “A Eletropaulo está aqui para cortar a luz, tem comprovante que eu possa mostrar?” Tinha. No computador. Disse a ela para dizer ao moço que esperasse cinco minutinhos, me enfiei em um táxi e corri para casa. Em vão. Cheguei e a escuridão se tinha feito. Desci correndo com o computador e os comprovantes salvos do sítio do banco. “Não podemos aceitar no computador, tem que imprimir”. Tentei explicar em vão ao moço cheio de má vontade que seria exatamente a mesma coisa imprimir e mostrar na tela do computador. Não. Ele precisava de um pedaço de papel. Ainda tentei ligar para a Eletropaulo para esclarecer o absurdo, mas só serviu para o moço do outro lado da linha me avisar que eu precisava quitar mais um débito, o que havia vencido no dia anterior. Certo. Voltei à escuridão do meu apartamento para deixar meu notebuck e percebi que estava tão escuro porque o tempo tinha fechado e que, enquanto estivera no elevador, a maior tempestade do país tinha se armado lá fora. Bem na hora em que eu precisava ir até a lotérica – se eu fosse ao banco seria muito mais trágico. Peguei um guarda-chuva e corri para a rua, torcendo para dar tempo. No exato momento em que botei meus pés na calçada, o mundo caiu. O guarda-chuva envergava para todos os lados possíveis. O vento uivava. Os bueiros transbordavam alegremente e eu maldizia todos aqueles que jogam lixo no chão. Ouvi na minha cabeça vozes gritando “Leptospirose! Leptospirose!” quando senti aquela água de cor indescritível tocando meus pés quase nus de melissa Campana. “Leptospirose! Tomara que não tenha fila”. Tinha. Imensa. E o mundo caía lá fora. Um caiaquinho ia bem, pensava eu enquanto pedia para uma moça simpática guardar meu lugar na fila para que eu fosse no banheiro lavar os pés e não contrair leptospirose. Fui rápida, ainda que minuciosa, e voltei para a fila, que mal tinha se mexido. Finalmente consegui pagar as contas e dei aquela aproveitadinha pra jogar na megasena, nunca se sabe. Um dia acertei os três primeiros números na ordem e quase tive um AVC. Bom, correndo para casa com meu guarda-chuva em frangalhos e a chuva ainda castigando (leptospirose! Leptospirose!) descubro que os simpáticos rapazes da Light já tinham passado por lá para religar a luz. Eu não estava. Eu estava pagando as porcarias das contas. E lá fui eu telefonar de novo para as moças treinadas do telemarketing para resolicitar a religação da luz. A moça não entendia. Eles já tinham estado lá. A essas alturas a minha paciência, que já não é de ouro, estava em erupção. Finalmente a moça treinada do telemarketing entendeu e me deu aquele agradável prazo de quatro horas. Meu ipod estava sem bateria, não dava para ler porque estava escuro demais, não havia nada a fazer senão padecer nas trevas. Resolvi ficar na varanda tomando chuva para aumentar meu drama e porque meu interfone não funcionaria se a Eletropaulo chegasse– ele não funciona sem luz. Mais ou menos duas horas depois os moços apareceram. Nunca fiquei tão feliz de ver uma pessoa de uniforme na minha vida.
Hoje, em pleno inferno astral, depois de ter pago as contas com meu dinheirinho suado, acordei, fui para a penteadeira (sim, eu tenho uma, onde inclusive estou sentada na foto lá em cima), liguei a luz e a luz não ligou. O pagamento não tinha entrado no sistema. Foi necessária a operação complicadíssima de levar notebuck e impressora até a casa do zelador para que religassem a luz. E, repito, as contas estavam pagas – mas não tinha entrado no sistema. Sistema de merda. É isso que eles fazem, eles cortam a luz da pessoa que deixa de pagar um dia de conta, ou, pior, que já pagou a conta. Pensando pelo lado positivo, e olha que demorou para achar um, pelo menos não corro o risco da leptospirose. Quer dizer, vejo uma réstia de sol na cortina, mas estando em São Paulo, vai saber… Pode até ser que eu me afogue.